A devoção da Via Sacra consiste na oração mental de acompanhar o Senhor Jesus em seus sofrimentos conhecidos como a paixão de Nosso Senhor, a partir do Tribunal de Pilatos até o Monte Calvário.
Esta maneira de meditar teve origem no tempo das Cruzadas (século X). Os fiéis que peregrinavam na Terra Santa e visitavam os lugares sagrados da Paixão de Jesus, continuaram recordando os passos da Via Dolorosa de Jerusalém. Em suas pátrias, compartilharam esta devoção à Paixão. O número de 14 estações fixou-se no século XVI.
Há muitas meditações da Via Sacra. Aqui oferecemos uma das versões do "Guia da Devoção à Misericórdia Divina", adaptada, e a nova Via-Sacra, apresentada pelo Papa João Paulo II.
| |
"São poucas as almas que contemplam a Minha Paixão com um verdadeiro afeto. Concedo as graças mais abundantes às almas que meditam piedosamente sobre a Minha Paixão."
"Às três horas da tarde implora à Minha Misericórdia, especialmente pelos pecadores, e, ao menos por um breve tempo, reflete sobre a Minha Paixão. Esta é a hora de grande Misericórdia para o mundo inteiro
Jesus a Santa Irmã Faustina |
|
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
Senhor Jesus, por que Vos condenaram à morte? Que foi que fizestes que
merecia a morte? Curaste doentes, alimentastes famintos, ressuscitastes
os mortos, perdoastes aos pecadores, respeitastes as autoridades,
trabalhastes para o bem da humanidade, fostes humilde, manso, bondoso,
misericordioso. Por que esta sentença tão cruel e humilhante?
O nosso orgulho, inveja, egoísmo, covardia, comodismo, calúnias, apego
exagerado pelas coisas deste mundo Vos condenaram. Eis aqui o segredo
da injusta sentença. Tenho que perguntar-me: o que eu fiz com Cristo?
Não O condenei, por acaso, a morrer?
Cristo, ajudai-me a viver o Vosso Evangelho até a morte.
A morrer crucificado
teu Jesus é condenado
por teus crimes, pecador (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
Cristo, eis a Vossa cruz. Será que esta cruz é Vossa? Na verdade ela é
nossa. Assumistes a nossa cruz. A grandeza e o peso desta cruz
cresceram dos nossos pecados, que destruíram a ordem do amor. Todos os
pecados do mundo nos Vossos ombros. O mundo grita, xinga, critica, está
rindo em sua loucura Cristo sofre e caminha em silêncio para me salvar.
Cristo, Vossa Via-sacra foi para mim. Ajudai-me cada dia, pela manhã, partir para a minha via-sacra e ficai ao meu lado, porque sou fraco.
Com a cruz é carregado,
e do peso acabrunhado,
vai morrer por teu amor (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
As forças estão se esgotando. Calor, solidão. A terra parece mover-se.
Cristo tropeça, perde o equilíbrio e cai. Sente a terra, a poeira na
boca. O peso da cruz o sufoca.
Nós partimos cheios de confiança e um dia caímos. Percebemos no nosso
caminho uma flor, uma ilusão e tivemos tanta vontade de levá-la. Então
paramos, traímos o caminho difícil e ficamos longe do caminho de Cristo.
Até quando vou ficar frio e passivo? Cristo, estou tão longe de Vós. Cristo, ajudai-me a partir de novo. Protegei-me contra minhas quedas que cansam e deixam vazio o meu coração. Quero seguir-Vos. Ajudai-me a levantar-me do meu pecado.
Pela cruz tão oprimido
cai Jesus desfalecido
pela tua salvação (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
Quanta dor da Mãe neste encontro. Ela vai com Seu Filho. Ela vai na
multidão despercebida, preocuapda com seus filhos. Não fala, vai junto
com Jesus, preocupada com todos nós.
Cristo, mostrai-nos Vossa Mãe humilde e dolorosa para nos comovermos e nos convertermos. Ajudai-nos a caminhar juntos com nossos irmãos, participar dos problemas deles, sofrer com eles como sofreu Maria -- Vossa e nossa Mãe.
De Maria lacrimosa
no encontro lastimosa,
vê a viva compaixão (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
Cirineu atravessava o caminho por onde Cristo carregava a cruz.
Pararam-no, o primeiro, desconhecido Cristo aceita a ajuda. Aceita uma
ajuda forçada de um homem teimoso. Deus Onipotente e Todo-poderoso
permite que o homem O ajude. Deus precisa de um homem fraco. Tanta
humildade!
Nós também precisamos dos outros. Nosso caminho é também duro e
perigoso demais para podermos vencê-lo sozinhos. E tantas vezes,
orgulhosos, afastamos as mãos que nos querem ajudar. Mais ainda,
pensamos que Cristo é desnecessário em nossa vida. Queremos agir
sozinhos. Ao lado de mim vai: amigo, esposa, marido, pai, mão, vizinho,
companheiro do trabalho, irmão desconhecido não posso ignorá-los. Todos
juntos precisamos salvar o mundo.
Cristo, que eu perceba e aceite com humildade os meus irmãos Cirineus que caminham comigo e também aqueles que foram forçados a caminhar comigo.
No caminho do Calvário
um auxílio necessário
recebe do Cirineu (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
Verônica olhava para Seu rosto. Rosto sujo, cansado. Cabelos grudados
com poeira, sangue e suor. Estremeceu em si, não podia esperar mais. Na
presença dos soldados e inimigos enxugou o rosto de Cristo. O rosto
doloroso de Cristo imprimiu-se no pano e no coração. Precisamos olhar o
Cristo, para nos tornarmos um pouco semelhantes a Ele. Passamos tantas
vezes ao lado de Cristo e nem sequer olhamos para o rosto dEle. Por
isso somos apenas tirstes máscaras Suas e não temos semelhança com Ele.
Desculpe, Jesus, os meus impuros olhares. Os outros não podem ver em mim Vossa luz e Vossa imagem.
Desculpe, Jesus, o meu corpo desejoso de prazeres. Ninguém consegue descobrir em mim um pouco de Vós.
Desculpe, Jesus, o meu coração cheio de ódio e egoísmo. Ninguém consegue descobrir nele o Vosso amor.
Ajudai-me, Senhor a ser a Vossa viva imagem.
O Seu rosto ensangüentado
por Verônica enxugado
contemplemos com amor (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
Cristo está no fim das Suas forças. O peso da cruz, o calor, o caminho
em subida, as forças se esgotam, o caonsaço cresce. Cristo cai de novo
por terra. São os pecados horríveis que o oprimem. Tão depresa
acostumo-me a praticar o mal. Falta de fidelidade, falta de prudência.
Não enxergo mais nada -- só o mal. Procuro o mal. Estou caído,
desanimado. Não vejo os outros no caminho, meus olhos fechados, meus
ouvidos surdos. Mas tenho medo de ficar assim. Sei que essa não é a
posição digna, humana.
Cristo, dai a mão a um mísero caído, levantai-me, sacudi a poeira pecaminosa dos meus olhos, lavai-me da minha sujeira. Dai-me novas forças para que eu possa levantar-me e caminhar ao Calvário da vitória, a glória final.
Outra vez desfalecido
pelas dores abatido
cai por terra o Salvador (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
As mulheres choram, lamentam,
vendo Cristo. Não podem ajudar, limitam-se a chorar.
Têm pena de Cristo.
Cristo, embora cansado,
percebeu-as, ouviu-as. É mais conveniente chorar os
nossos pecados, porque a causa da via dolorosa de Cristo
são nossos pecados. Dignos de lamentação somos nós,
pecadores.
Perceber os pecados dos outros é
sempre mais fácil do que chorar os nossos.
Cada um passa diante do meu
tribunal; o mundo todo -- prefiro jultar os outros do que
a mim e descubro facilmente culpados: bêbados,
preguiçosos, fofoqueiros, falsos, mentirosos, injustos,
egoístas -- só eu o perfeito.
Cristo, ajudai-me a descobrir uma verdade muito velha e sempre nova: que sou pecador e isso preciso lamentar.
Das matronas piedosas
de Sião filhas chorosas
é Jesus consolador (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
Cristo cai de novo. Os soldados
batem. Cristo não se mexe. Senhor, morrestes?!
Ainda não, as forças quase
acabaram. Restou ainda um pedacinho do caminho: dois,
três passos Neste estado isso é quase impossível.
Senhor, caístes a terceira vez, mas já no alto do
Calvário onde vão levantar a cruz.
Eu também caí de novo. Sempre estou caindo. Às vezes duvido se poderei levantar-me. Mas vendo-Vos a meu lado, recupero as minhas forças e certamente vencerei com Vossa graça.
Cai terceira vez prostrado
pelo peso redobrado
dos pecados e da cruz (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
Cristo não tinha mais nada a não
ser uma veste. Mas isto foi ainda demais. Agora não
existe mais nada entre o corpo de Cristo e a cruz. Os
homens uniram a cruz e o corpo para sempre.
Cristo, Vossa veste era comprida,
digna da pessoa humana. Nós precisamos abandonar também
as vezes, vestes provocantes, indecentes, para que
possamos defender nossa dignidade humana.
Senhor, fazei que morra tudo em mim que ofende a Vossa santa vontade. Gosto tanto de muitas coisas pequenas que são minhas, mas se isso for necessário para viver verdadeiramente, tira tudo de mim. É melhor morrer, para depois viver. Assim como o grão que precisa morrer para dar frutos.
Dos vestidos despojado
por verdugos maltratado
eu Vos vejo, meu Jesus (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
Cristo estendido na cruz, cobre-a
perfeitamente para ser unido perfeitamente a ela. Os
pregos atravessam o corpo. Cristo permite que o homem
apanhe brutalmente as mãos e os pés dEle e pregue na
cruz. Agora nenhum movimento é possível.
Nós também precisamos aceitar a
nossa cruz na hora presente. Não podemos escolher. Temos
que aceitar a nossa cruz. Ela é pronta, feita para meu
tamanho, feita dos meus sofrimentos. Temos que apegar-nos
a ela.
Isto não é fácil. Mas não posso encontrar o Cristo de outra maneira. Cristo espera por mim na cruz para, junto com Ele, redimir o mundo, nossos irmãos.
Foi Jesus na cruz pregado
insultado, blasfemado
com cegueira e com furor (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
As três horas de agonia são tão
compridas, parecem sem fim. Mas compridas do que três
anos, do que trinta anos de vida. Tudo preparado. Cristo
morre. A vida pára, o coração não bate mais. O
Coração grande como o mundo -- o mundo de pecados que
carrega em si.
O mundo talvez ainda não saiba,
mas, inconscientemente, estende os braços gritando:
"salvai-nos, salvai-nos, Senhor, não podemos mais
viver assim, tirai-nos do pecado".
Quando eu morrer, Cristo, deixai-me entregar o meu coração a Vós, morrer para Vós, para viver em Vós.
Meu Jesus, por nós morrestes,
por meus crimes padecestes,
como é grande a minha dor (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
A Vossa obra, Cristo, é
consumada. os pregos são desnecessários. Agora podeis
descer e descansar. Devagarinho descem-no da cruz. A Mãe
recolhe-O nos seu braços. Tanta dor atravessou a sua
alma, mas agora
Nós também estamos cansados,
vamos adormecer um dia para sempre. Mas em que estado
vamos morrer?
Nossa Mãe: vigiai sobre nós cada noite. Tomai-nos nos Vossos braços na última hora, não largueis-nos nunca, por favor. Não esqueçais de nós, pois sois o "Refúgio dos pecadores".
Do madeiro Vos tiraram
e à Mãe Vos entregaram
com que dor e compaixão (bis).
V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.
Cristo é depositado no sepulcro.
Na entrada, uma grande pedra. Os amigos não podem mais
ajudar. Resta a esperança na ressurreição.
Nossa ressurreição será no fim
do caminho. Embora o caminho seja difícil, sabemos que
Cristo espera por nós na Sua glória.
Senhor, ajudai-nos a atravessar este caminho fielmente.
No sepulcro Vos deixaram,
enterrando-Vos choraram,
magoado o coração (bis).
O Santo Padre João Paulo II introduziu nova seqüência das cenas na Via Sacra que promove no Coliseu, em Roma, optando pelas narrações dos Evangelistas. É esta sucessão que estamos propondo aqui, com as próprias palavras da Sagrada Escritura.
As novas Estações são: